Que os meus escritos não tenham efeito.
Que essas praias do céu
não sejam eternizadas.
Que esse ar seja etéreo
e todas as pessoas
sejam passageiras.
Que esse tremor seja não-usual.
Estamos à beira de um precipício
e não vamos voar,
mas cair, em queda livre,
como se tomássemos chá.
O que virá desta vez?
Um copo.
Um copo de estanho.
E no seu corpo está escrito Graal.
Vejamos esse corpo, no escuro,
o seu brilho de metal.
Não é muito, se não se acrescenta a lenda.
E a lenda diz que pertenceu a um cavaleiro,
e que depois se perdeu,
sendo achado por nossa imaginação.
Aqui está, e tem poderes mágicos.
Não parece,
mas pode transformar-se em moça,
ou qualquer outra ilusão de eternidade e bem-aventurança
- coisas que não são ilusão,
a menos que estejam corporificadas.
Do Graal se pode beber e ter poderes. Bebe-se escondido
e têm-se poderes escondidos.
Toma.
Sentes?
Tuas costas ganharam asas.
Agora, sim, podemos voar.
Voemos.
Voemos por entre as penedias.