Wednesday, November 17, 2010

AFGHANISTAN

The rain caught me
in ambushes.
So I left the bushes
and found a road.
Not only for looking at you,
dear rousignol,
and hear your sound
unnoted.

Not only for looking at you,
dear rousignol,
and found your sound
unnoted.

Wednesday, November 10, 2010

O leitor

De minha família, pouco sei.
Minha família é você,
e só você.

IMAGINATION

Que os meus escritos não tenham efeito.
Que essas praias do céu
não sejam eternizadas.
Que esse ar seja etéreo
e todas as pessoas
sejam passageiras.
Que esse tremor seja não-usual.
Estamos à beira de um precipício
e não vamos voar,
mas cair, em queda livre,
como se tomássemos chá.
O que virá desta vez?
Um copo.
Um copo de estanho.
E no seu corpo está escrito Graal.
Vejamos esse corpo, no escuro,
o seu brilho de metal.
Não é muito, se não se acrescenta a lenda.
E a lenda diz que pertenceu a um cavaleiro,
e que depois se perdeu,
sendo achado por nossa imaginação.
Aqui está, e tem poderes mágicos.
Não parece,
mas pode transformar-se em moça,
ou qualquer outra ilusão de eternidade e bem-aventurança
- coisas que não são ilusão,
a menos que estejam corporificadas.
Do Graal se pode beber e ter poderes. Bebe-se escondido
e têm-se poderes escondidos.
Toma.
Sentes?
Tuas costas ganharam asas.
Agora, sim, podemos voar.
Voemos.
Voemos por entre as penedias.

O Normal e o Científico

Desabotoou a blusa. Houve cheiro de laquê. A vitrola tocava alto, não sei a quantos decibéis. O mormaço da sua pele. O carro parando. O coração, galopando, fugiu. Fugiu. Ninguém sabe, ninguém viu.
Se ao menos soubesses a quantas ando, sem teu cheiro, sem teu calor, sem tuas rendas.
Pobre diabo que sou, mas sou direito com meus caminhos.
Morrer é uma coisa normal.
Faz parte da vida, é como tirar assoalho.
Mas fica,
aquela doçura,
aquele gosto.

Respingos

Estrelas brancas
no vidro.
Vidro soprado
de escuro.
Brancas estrelas,
branco futuro.

Wedding

There was a rainbow
over the cattle cabrum.

There was a rain
on high.

There was a rain for us,
and we passed by.


SE EU FOSSE PANTAGRUEL

Ó bambual,
se eu fosse tão gigante
serias uma alface.

Ó riachos,
que em meus pés seriam poças.

Sequóias seriam matagal,
e a jibóia,
uma cobra normal.

Mas a chuva seria chuva,
e o céu seria céu.

As aves seriam moscas,
e as moscas,
um nada gracioso.

E tu serias muito moça,
se eu fora Pantagruel...