Todo homem é uma ilha, disse o Iluminado. Importa-nos sermos o rei dessa ilha, mais do que de outra, exterior. A ilha exterior não é eterna como a interior, onde deve haver reinado, conquistado, não à espada, mas ao duro calor. Enfim, estavam andando, Princeso e Principeza, ambos com seus reinos conquistados. Andavam por uma alameda, e as flores brincavam de existir na copa das árvores. Eles percebiam as flores como odores externos. E, reais sem realeza alguma, subiam os barrancos.
Até que uma hora, resvalaram na grama orvalhada e vieram ter a um aquário de peixes, um laguinho, de cristalina e plantas, bem ao lado do verde.
Todo homem é uma ilha, disse o Iluminado. Conscientes disso, eles se beijaram.
E formou-se uma nova Ilha.
Os sonhos, como satélites. Tornamo-nos astrônomos, olhando o céu, mais do que agricultores, que não têm sonhos, se isso é possível. Vejamos o céu, como foi um presente para a memória o céu de estrelas apenas azul por entre os galhos do pessegueiro florido, as florezinhas rosas, anoitecidas. Como foi aceso.
Princezo e Principeza viviam assim, sem acreditar em nada que não fosse a bela sucessão infixável dos sonhos. Os sonhos, como Medusa, eram temíveis, e por isso eles abaixavam os olhos. Até que passasse a torrente dos sonhos que velavam os maiores, abaixavam os olhos. Olhar o céu nem sempre é belo. Eles sabiam disso, cada qual em sua ilha. Novos sonhos passeavam, novos. E era tudo realidade.
Desejos: não acrediteis em nenhum.
Sunday, February 24, 2008
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