Thursday, November 20, 2008

The Great Garden,

some are the best news to sale.
some are the best looms.

O grande jardim, ipês, jasmins.
Os lustres do céu, às vezes, são rosados,
às vezes, lilases.
lustres, como fofas ameias
de um magro castelo, de muros cinza, claro.
quietas aves.
ninhos mais que escondidos.
e as solanáceas das lâmpadas, luzes.
Acendemos luzes, talvez, para iluminar
um baile no Céu,
baile que não ouvimos, a não ser

atentando os ouvidos.

Ouvimos?
Os pratos batendo, os vinhos se derramando
em taças, fofuras de champagne, e conversas,
e talvez a dança. Qual será,

como nesta noite, Mozart.

O grande jardim, teto do baile
Com pássaros de verdade.
E o que temos nós,
do grande céu estrelado?

Saberemos?.

Eles têm este verde teto, esses frisos azuis,
estes blocos, esta gama de luzes, algumas paradas,
algumas votivas, e outras riscando,
como raios. E devem ter grandes painéis
de azul oceânico.

Saberão?.

Estarão tão longe de nós
quanto estamos deles?.

Não... Nesta imaginação,
não. Nesta imaginação, estamos justamente
participando do baile, quer saibamos, ou não.

Nesta noite, me pareceu claro,
que os céus,dispondo-nos,
gostou de nós.

...Estreitos são os barcos, estreito nosso leito. (Saint-John Perse)

Imensa a extensão das águas, mais vasto nosso império
Nas câmaras fechadas do desejo.

Entra o Verão, que vem do mar. Ao mar somente, nós diremos
Quão estranhos fomos nas festas da Cidade, e que astro subindo das festas submarinas
Veio uma tarde, sobre nosso leito, farejar o leito do divino.

Em vão a terra próxima nos traça sua fronteira. Uma mesma onda pelo mundo, uma mesma onda desde Tróia
Rola sua anca até nós. Muito ao largo longe de nós este sopro foi imprimindo outrora...
E o rumor uma tarde foi grande nas câmaras: a própria morte, a som de búzios, não se faria ouvir!

Amai, ó casais, os barcos; e o mar alto nas câmaras!
A terra uma tarde chora seus deuses, e o homem caça feras ruivas; as cidades se gastam, as mulheres sonham... Que haja sempre à nossa porta
Essa alvorada imensa que mar se chama – escol de asas e erguer de armas, amor e mar de mesmo leito, amor e mar no mesmo leito –

e esse diálogo ainda nas câmaras:


“... Amor, amor, que tão alto manténs o grito do meu nascimento, quanto há de mar em marcha para a Amante! Vinha pisada sobre toda praia, benefício de espuma em toda carne, e canto de bolhas sobre as areias... Homenagem, homenagem à Vivacidade divina!

Tu, homem ávido, me desvestes: senhor mais calmo que em seu convés o mestre do navio. E tanta tela se desfaz, nada mais há na mulher senão o que te agrada. Abra-se o Verão, que vive de mar. E meu coração te abre mulher mais fresca do que a água verde: semente e seiva de doçura, o ácido mesclado ao leite, o sal ao sangue vivíssimo, e o ouro e o iodo, e o sabor também do cobre e seu princípio de amargor – todo o mar em mim trazido como na urna materna...

E sobre a praia do meu corpo o homem nascido do mar se estendeu. Que refresque seu rosto na própria fonte sob as areias; e se regozije sobre a minha eira, como o deus tatuado de filicíneas... Meu amor, tu tens sede? Sou mulher a teus lábios mais nova que a sede. E meu rosto entre tuas mãos como nas mãos frescas do naufrágio, ah! Que ele te seja na noite cálida frescor de amêndoas e sabor de alvorada, e conhecimento primeiro do fruto sobre a orla estrangeira.

Eu sonhei, outra tarde, com ilhas mais verdes que o sonho... E os navegantes baixam à costa em busca de uma água azul; eles vêem – é o refluxo – o leito refeito das areias a escorrer: o mar arborescente aí deixa, ao entranhar-se, essas puras impressões capilares, como de grandes palmas supliciadas, de grandes jovens extasiadas que ele deita em lágrimas em suas tangas e em suas tranças desfeitas.

E estas são figurações do sonho. Mas tu, homem de fronte erecta, deitado na realidade do sonho, bebes na própria boca redonda, e conheces seu revestimento puníceo: carne de romã e coração de opúncia, figo da África e fruto da Ásia... Frutos da mulher, ó meu amor, são mais que frutos do mar: de mim sem pintura nem adornos, recebe as arras do Verão do mar...”

“... No coração do homem, solidão. Estranhos é o homem, sem praias, junto da mulher, praiana. E mar eu mesmo a teu oriente, como mesclado à tua areia de ouro, que vá ainda e me demore, sobre a tua orla, no desenrolar muito lento dos teus anéis de argila – mulher que se faz e se desfaz com a onda que a engendra...

e tu mais casta por estar mais nua, só de tuas mãos vestida, não és Virgem das profundezas, Vitória de bronze ou de pedra branca que se recolhe, com a ânfora, nas grandes malhas carregadas de algas dos tarefeiros do mar; mas carne de mulher junto a meu rosto, calor de mulher sob o meu olfato, e mulher que seu aroma ilumina como a chama de fogo rosa entre os dedos semicerrados.

E como o sal está no trigo, o mar em ti em seu princípio, a coisa em ti que foi de mar, deu-te este sabor de mulher ditosa e de quem me achego... e teu rosto é voltado para cima, tua boca é fruto a consumir, em fundo de barca, dentro da noite. Livre meu alento sobre a tua garganta, e o remontar, de toda parte, dos lençóis do desejo, como nas marés de lua próxima, quando a terra fêmea se abre ao mar salaz e dócil, ornado de bolhas, até em suas marismas, suas maremas, e o mar alto na pastagem faz seu ruído de nora, a noite é cheia de eclosões...

Ó meu amor com sabor de mar, que outros apascentem longe do mar a écloga no fundo de estreitos vales – mentas, melissa e meliloto, tibiezas de alisso e de orégão – e fala alguém ali do direito sobre abelhas e um outro mercadeja com as crias das ovelhas, e a cordeira lanosa beija a terra no sopé dos muros de pólen negro. No tempo em que os pêssegos frutificam, e se escolhem os atilhos para a vinha, eu cortei o nó de cânhamos que prende o casco sobre o berço, ao seu berço de madeira. E meu amor está sobre os mares! E meu ardor está sobre os mares!...

Estreitos são os barcos, estreita a aliança; e mais estreita tua medida, ó corpo fiel da Amante... E o que é este mesmo corpo, senão imagem e forma do navio? nacele e nave, e nau votiva, até em sua abertura mediana; construído em forma de carena, e sobre as suas curvas modelado, vergando o duplo arco de marfim ao desejo das curvas nascidas do mar... Os armadores de cascos, em todos os tempos, tiveram esse modo de ligar a quilha ao jogo das cavernas e balizas.

Barco, meu belo barco, que cede em suas balizas e traz a carga de uma noite de homem, tu me és barco que traz rosas. Tu rompes sobre a água cadeia de oferendas. E eis-nos aqui, contra a morte, nos caminhos de acantos negros do mar escarlate... Imensa a alvorada que mar se chama, imensa a extensão das águas, e sobre a terra feita sonho em nossos confins violeta, toda a vaga ao longe que cresce e se coroa de jacintos como um povo de amantes!

Não há usurpação mais alta que no barco do amor.”



(Amers, 1957)

Friday, October 17, 2008

Tuto´s birth soundtrack

/

UNDER THE IRON SEA - Keane
MUSICA TRADICIONAL CHINA, vol. 1 e 2
SHAKESPEARE SONGS - Deller Consort
GOLDBERG VARIATIONS - Glenn Gould

Friday, May 23, 2008

"Ulisses in reverse"

Crying for the next lands
till the happyness;
not this shape I see,
but crying for the land to leave.

Friday, April 11, 2008

"chimes of freedom"

These are the trees
and the furniture of the promenade.
Rolling e rolling,
their cheerleader masses of green feuiles.
Shadow on the walk.
It did not a nod of comprehend,
but stay on the ground the eyes
and don´t know that I´m here, the window.
More one light
of the many in the night.
It curves de corner
and descends.
The back of him is black
as he fits a hat and long coat.
It goes.
It didn´t see a one to him,
and perhaps it goes till the river.
Every wardrobe of troubles goes with him.
It ends.
The trees are biding.
[blinding]
[binding)

Les butterflies

Three companions, white.
In the green buttered field,
sunny, and tenderly shadowed.
Eys flies in come and go,
and blue flowers, tiny, print the eyes
with dots. The grails-of-milk, ashore,
seem a covenant os mothers.

The three companions, white.
Rejoice with the flowers little blue in the ground,
redrosed in the peachtree.

The little covenant of mothers,
they milk a life
that´s not the new.

The new is joy of play,
and sun.

Little covenant of mothers:
they knew a breast
of follies

Butterflies: they tell
their secrets, and laugh,
and the black brother come,
so little, and is,
poor boy,
their silly

Accalm.
They´re tired.
One, after a while,
goes to the mothers,
just to disturb.

They´re together, again.

and, perhaps,
it will be this way,
till the night.

The little brother, so black,
poor boy, now is playing, too.
"Be piety!", he says
"We are.", they laugh.

And they´re happy.

"Few the grasses go old..."

Few the grasses go old.
Few are the new.
The eyes of an orchid look the both
with same interest it looks
to itself.


without you
it has anymore

BRETHEREN

Each peach in the yard,
a-bending

yellowed and greened
fruitful
and parfumed

THE DAYS STARTED WITH STARS

The closing of the sun was desappearance.
The days started with stars.

Friday, March 21, 2008

"aLL THAT i SEE IS a-going AWAY"

"All that I see is going away
The world as they used to be
And I see people as they cease to do
The good what they did - what time us to prove!
But the heart of my friend cannot go away,
from me, from want to me too good.

Though the man can tear apart the heart
Of the things he loves, by good faith,
And leaves the man the land he´s in,
And leaves the man the children his own
It cannot tear apart the heart of my friend
From me, from want me to good.

All that I see is going to change:
It changes time, and it changes mean,
People change to do good or sin,
The winds change, and everything else,
But the heart of my friend cannot be changed
From me, from want me for good."


---------------- Joan Airas de Santiago, menestrel galego, do século XIII ou XIV, compôs essa obra-prima de poesia, que eu, apaixonado, tentei verter para o Inglês. Tradução é um negócio tão difícil que compus umas seis versões, sem ficar completamente satisfeito com nenhuma. O título do poema é "Todalas cousas eu vejo partir." Até o final da vida, devo produzir umas trinta e quatro versões. O problema é transpor a métrica, os acentos, as rimas e, mais importante de tudo, o duplo sentido dos versos. O verbo "partir", por exemplo, é usado em duplo sentido, quase no poema todo. Esse poema é bom demais, daí a dificuldade de traduzi-lo.

Thursday, March 20, 2008

Some night, 2006, or 2007

Longa a distância.
Espera.

A goiaba

A goiaba tem bicho.

Viciado em Bach.

Sinais de um planeta,
Netuno.
Garfos, garfos, e garfos.
e água.

A espera.

A espera do futuro,
já consumado.

Monday, March 17, 2008

SONG

"O´re the smooth enamel´d green
where no print of step hath been,
follow me as I sing,
and touch the warbled string.
Under the shady roof
of branching elm-star-proof,
follow me,
I will bring you where she sits,
clad in splendor as befits
her deity.
Such a rural queen
all Arcadia hath not seen."

John Milton

Quadrinha

Hoje eu estou triste.
Triste porque partiste.
Na noite, em riste
Um cometa viste.

Sunday, February 24, 2008

"Princeso e Principeza"

Todo homem é uma ilha, disse o Iluminado. Importa-nos sermos o rei dessa ilha, mais do que de outra, exterior. A ilha exterior não é eterna como a interior, onde deve haver reinado, conquistado, não à espada, mas ao duro calor. Enfim, estavam andando, Princeso e Principeza, ambos com seus reinos conquistados. Andavam por uma alameda, e as flores brincavam de existir na copa das árvores. Eles percebiam as flores como odores externos. E, reais sem realeza alguma, subiam os barrancos.
Até que uma hora, resvalaram na grama orvalhada e vieram ter a um aquário de peixes, um laguinho, de cristalina e plantas, bem ao lado do verde.
Todo homem é uma ilha, disse o Iluminado. Conscientes disso, eles se beijaram.
E formou-se uma nova Ilha.

Os sonhos, como satélites. Tornamo-nos astrônomos, olhando o céu, mais do que agricultores, que não têm sonhos, se isso é possível. Vejamos o céu, como foi um presente para a memória o céu de estrelas apenas azul por entre os galhos do pessegueiro florido, as florezinhas rosas, anoitecidas. Como foi aceso.
Princezo e Principeza viviam assim, sem acreditar em nada que não fosse a bela sucessão infixável dos sonhos. Os sonhos, como Medusa, eram temíveis, e por isso eles abaixavam os olhos. Até que passasse a torrente dos sonhos que velavam os maiores, abaixavam os olhos. Olhar o céu nem sempre é belo. Eles sabiam disso, cada qual em sua ilha. Novos sonhos passeavam, novos. E era tudo realidade.
Desejos: não acrediteis em nenhum.

Sunday, February 10, 2008

Ingleza paisagem

Inglesa paisagem
Inglesas águas
em cujo caminho flutuam
névoas. Grande mordacidade do vento
ao frio da manhã sem vento.
Águas
e em torno
verão de orvalhos

Águas
e em torno
em amarelos e verdes
derretida
neva...

E os barrancos colorem
sem perceber
o gado em seu descer...


*

cottage


E a minha aldeia não é a Inglaterra
embora seja,
em dias como esse,
de sol vivo em flores e matas
frias.

Propriedade – uma vilazinha de invisíveis.


*

milk


A sombra bendita
lá longe
termina
numa vibração de sol

a grama desse sol...

A sombra bendita
lá longe
é tão fria
quanto esta

- Ah, a cuia de borracha
que a seringueira me ofertou...

Monday, February 04, 2008

Wenceslau de Moraes, 1923

"Ora, há um certo tempo para cá, aprendendo na experiência da vida, - são os velhos e as creanças que mais aprendem n´este mundo, - tenho-me vindo convencendo de que correm apreciações mal avisadas, direi mesmo muito errôneas, respeitantes ao homem solitário, - solitário como hoje se pode imaginal-o, construindo a sua thebaida em qualquer centro do mundo civilisado... visto que o mundo inteiro se civilisou. – Quer-me parecer que ao homem solitário, isolado quanto possível do convívio do mundo, cabem mal as lamentações caridosas que os seus contemporâneos lhe dispensam, n´um impulso presumivelmente altruísta, de sincera benevolência. Mas não há homem solitário. O homem solitário, que não vê em torno de si senão a si, que não ouve em torno de si senão a si, não existe; acompanham-n´o, se não outros seres humanos, a lembrança de muitos seres humanos, e o interesse por toda a humanidade, melhor ainda, por toda a creação. Está pois muito bem acompanhado. Porque, pensemos bem: - quem vive mais em isolamento, não é o homem que se encontra mais isolado n´este mundo, sem família, sem amigos, sosinho, recolhido no seu obscuro albergue; mas sim o outro homem, ou antes os outros homens (pois são elles que formam legião), os homens embrenhados na vida social, agitados pelo redemoinho das paixões, dos interesses, das competências, das rivalidades, dos gosos, dos desejos, das ambições. Lembremo-nos de que, para esta grande cathegoria de homens, na hypothese que mais os nobilita, a humanidade é, no fim de contas, a família; pois é para a família que elles trabalham com afan, é ella que elles amam com carinhoespecial, é n´ella que elles pensam com particularíssimo desvelo, é por ella que elles soffrem; em quanto que para o homem solitário, que vive sem família, a família é a humanidade. Não; muito mais do que isso; a família é a creação, a creação inteira. Quero dizer: - no homem em isolamento, as qualidades affectivas, não encontrando, próximo, estímulos de exercício, expandem-se para longe, como que em emanações de amor por todos e por tudo; resultando, para elle, um certo estado de alma, desconhecido dos homens como vulgarmente elles se encontram, palpitando, em commum, da vida irrequieta dos centros sociaes.
Não façamos questão de palavras. Conservemos a denominação de homem solitário, para não nos darmos ao incommodo de ir procurar outra melhor, que talvez não acharíamos. Mas, se viver é sentir, é amar, é pulsar em commoções, é gosar, é soffrer... então, digamos que o homem solitário também vive, vive mesmo uma vida mais intensa do que a vida do homem social..."

Tuesday, January 29, 2008

"No claustro de celas"

*
No velho convento já penetra a puríssima luz de um belo amanhecer.
Já o sol anuncia seu retorno, iluminando
os altos cimos das árvores.
Misteriosos caminhos conduzem a esta paragem solitária
onde se esconde, sossegada, a cabana do bonzo
em meio à folhagem e às flores.
Enquanto a montanha se ilumina,
os pássaros,
obedientes ao ritmo da naturaza,
despertam-se gozosos.
Águas fundas e límpidas, como os pensamentos
do homem que purificou seu coração.
Os dez-mil ruídos do mundo nunca chegam aqui
a turvar esta paz, onde só se elevam
as harmoniosas vozes das pedras sonoras.

Li Chang Yin
(Dinastia T´ang)