Wednesday, December 15, 2010

CAVALO DE CERA

Era uma vela roxa, bordeaux, quase marrom, mas roxa. Dificuldade de definir cores. Cor de vinho, digamos. Não era vela de feitiço, mas decoração à la duendes. Foi derretendo, e, qual surpresa!, ao fim do dia estava ali: um cavalo, de cera. Moldado, sei lá como, sei lá por quem, sei lá que ninguém. Estava ali, um cavalo. E, brincando com ele, lembrei-me.

Da Ordem Cavaleiresca, criada por um velhinho. O velhinho era um velhinho: brincava. Criou várias ordens, mas: a Ordem de Cavalaria foi a mais séria. Congregou muitas crianças. As meninas jamais viram pessoas tão formosas. Jamais fizeram qualquer esforço, com eles por perto; e, se mangavam deles, ai!, lá vinha um desentronchar de entranhas, por meio das palavras. Aí, elas choravam. Sentiam-se algo que pudesse ficar debaixo do pano velho da soleira da porta, sem serem percebidas. De esmerada educação, os mocinhos choraram muito, quando o velhinho partiu. Partiu de cota e elmo, e a longa espada. Cavaleiros dispersos, onde estarão?

No comments: