Abri a caixa de correio, e havia apenas um papelzinho: “Há uma esperança”. Era propaganda de igreja, mas estava lá, na escuridão da caixa de ferro, empoeirando, e ainda tão limpinha, tão novinha. Nem mexi. Apenas fiquei com a frase na cabeça, e tranquei-a de novo, na escuridão da caixa de ferro. E depois, o domingo farfalhou as sibipirunas, todas secando, mas ainda verdes, verdinhas de tarde dourada - é inverno.
Com as mãos ainda enferrujadas de água e de frio, fui pela escada acima, e notei que, realmente, havia uma esperança.
À medida que as horas se dilatavam em minutos, e estes se dilatavam logo em segundinhos, fui percebendo que a esperança sempre esteve presente na caixa empoeirada de ferro, que é onde menos se espera.
E ali ela está, protegida. Mas, se eu procurá-la de novo, é bem capaz que tenha sumido para outro lugar, talvez nas calçadas do jardim de baixo, ela vai para onde a não querem.
No comments:
Post a Comment