Friday, December 24, 2010

SHELTER FROM THE STORM

Debaixo das pedras, em frente à torrente de água, ele via embaçado as pessoas e a paisagem. Uns pingos ressoavam em sua cara, e o barulho da água era muito. E teve a sensação de que tudo ficava protegido. A mesma manta protegia os seus sonhos. E tudo era magia, mas magia calma, com todo o apetite da realidade, que deve ser moderado. E a moderação do apetite estava nesse caldo d´água, fluindo com estrépitos, desde alturas.

Num barranco, uma amiga se equilibrava, e o sol incendiava o seu corpo. Num outro canto, uma moça desentranhava um cabelo já desembaraçado. Seu olhar se perdia em preocupações. Mas, no fundo do poço, protegido da queda d´água, e, por ela, protegido do mundo exterior, um aquário brilhava, de peixinhos vermelhos, em água verde. Por entre as pedras lisas, que, feito grandes paredões de pedra, ostentavam guirlandas de samambaias e fetos. Outros fetos.

Caía uma chuva torrencial.

Mas, fora do abrigo, um amigo dedilhava o violão, e cantava para o sol. E outro abria a cerveja, que ofereceria à moça, desfazendo-a de preocupações. Um velhinho desceria, da comunidade, para prosear com os moços.

E tudo seria bom.

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